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Glossário

Terceira onda do café (third wave)

Nível Intro Leitura 2min

O movimento cultural e comercial que reposicionou o café de bebida commodity para produto artesanal, começando aproximadamente no fim dos anos 90 e cristalizando ao longo dos 2000. O nome empresta da cerveja e da cultura gastronômica, onde cada "onda" descreve uma virada análoga em direção a procedência e qualidade.

As três ondas, em ordem

Primeira onda (início e meados do século XX). Café instantâneo e pré-moído de massa. Maxwell House, Folgers, Nescafé. Café como combustível: barato, ubíquo, indistinto.

Segunda onda (anos 70–90). Cultura de café de espresso. Starbucks, Peet's, Illy. Café como experiência: lattes, torras escuras, espresso ao estilo italiano servido em todo lugar. A origem ainda majoritariamente invisível para quem bebe.

Terceira onda (fim dos anos 90 em diante). Café como ingrediente. Single origins impressos no pacote. Data de torra em vez de validade. Torras claras a médias que deixam o grão falar. Preparo manual — V60, AeroPress, Chemex — de volta da extinção. Comércio direto e transparência sobre fazendas e preços. Torrefadores como Stumptown, Intelligentsia, Counter Culture, Square Mile e Tim Wendelboe definiram a estética inicial.

O que o termo realmente significou

Um deslocamento de onde o valor morava. No espresso de segunda onda, a técnica de vaporizar leite do barista era o ofício; o grão era um insumo genérico. No preparo de terceira onda, o grão virou o ofício — a origem, a variedade, o processamento e a curva de torra pesavam mais que a técnica de leite do café. Coados, brewers manuais e torras mais claras foram a consequência natural: são os formatos que deixam o grão liderar.

O termo hoje soa um pouco datado — muitos na indústria simplesmente dizem "especialidade" — mas continua sendo o rótulo histórico mais claro para o momento em que o café coado virou uma disciplina precisa em vez de um produto genérico.